sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O banho e a volta

     Após ter praticamente esquecido da existência do blog, exceto por um ou outro momento no qual em conversas sobre o assunto surgia o contexto para dizer "eu postava em um blog", volto aqui. A bem da verdade nem voltaria se não houvesse um "chute".

    Aqueles que assistiram o filme "A origem" devem lembrar que no meio do sonho, para que a pessoa "acordasse" era necessário um chute, que poderia ser um susto, um acidente de carro ou um banho gelado. Pois bem, justamente o banho gelado (título do post anterior a esse) lembrou-me da última vez que escrevi aqui e me fez pensar que talvez valesse a pena voltar, tanto por mim quanto por alguém que resolva ler e pensar sobre as mesmas coisas que têm chamado minha atenção nessa vida.

    Nesse momento o leitor atento deve estar pensando sobre onde entra o banho gelado nessa história; devo dizer que resolvi fazer uma experiência..atualmente estou lendo um livro sobre o qual ouvi falar na aula nesse semestre, chama-se "Bleak house" (que em português seria "Casa desolada") e foi escrito por Charles Dickens (o mesmo de Oliver Twist, David Copperfield e outros tantos clássicos da literatura inglesa).

    No livro, há uma personagem cuja personalidade é impressionante, John Jarndyce. O sujeito possui a capacidade de "chegar no coração das pessoas", de agir assertivamente e com inteligência nos mais variados momentos. Dickens, assim como Flaubert, Machado de Assis, José de Alencar, George R. R. Martin, Tolkien e tantos outros, constrói bem a história e descreve com detalhes os cenários nos quais ela se passa.

    Dessa maneira, ao descrever os aposentos de John Jarndyce, aparece um local no qual ele possui o hábito de tomar banhos frios; nesse ponto o editor faz uma remissão informando que à época acreditava-se que tomar banho frio higienizava tanto fisicamente quanto moralmente o homem. Partindo do pressuposto de que em condições saudáveis não há riscos num banho frio e que muitos inclusive dizem ser este mais saudável que o quente, resolvi fazer um teste.

    Percebi que estamos de tal maneira acostumados com uma vasta zona de conforto tanto psicologicamente quanto fisicamente. Que nossa personalidade "plasma" em todos os aspectos da nossa vida o que temos de bom e de ruim, enfim, que para mim é extremamente difícil tomar um banho gelado de propósito hehe

     Depois desse banho (que consegui tomar) lembrei do blog e tenho a nítida sensação de estar revigorado; pode ser viagem minha, mas já valeu a pena. Mesmo que eu descubra no futuro uma ausência de sentido nessa parafernalha toda, a viagem terá trazido o suficiente para eu já nem pensar muito no destino.

     Agora começo a pensar no que eu, o mundo, a vida, o universo e tudo mais (entendedores entenderão) mudaram desde que esse blog ficou parado. Nesse meio tempo ocorreram coisas que eu jamais poderia imaginar; creio que estou no caminho certo fazendo a vida tornar-se inacreditável de maneira que eu sinta poder fazer a diferença e ainda não ter perdido a sensação - há muito abandonada por vários conhecidos - de que posso ajudar a mudar o mundo.

     O mundo é feito de pessoas..o que muda e move o mundo são as pessoas..eu sou uma pessoa..provavelmente você também é.

     Sem mais por hoje. Amanhã será outro dia e quando eu acordar buscarei lembrar do que falou Charles Chaplin: O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.

     Dessa vez serei um escultor recém saído de um chute através de um banho gelado ;)

sábado, 12 de janeiro de 2013

O Banho Gelado

    Agora mais um post após novo lapso inativo no blog. Assim como muitos outros será um conjunto de recortes vindos das mais diversas fontes e que culminam em uma ideia central.

          *          *          *

    Através dos séculos as pessoas mais notáveis da humanidade fizeram uma cruzada em busca da felicidade, que não é uma coisa ou outra, mas A coisa. Após simples reflexão é possível concluir ser de inteligência questionável o homem que não a busca e que não posiciona tal busca no centro de sua vida.

    Pois bem, tenho de dizer que quase todos nós, então, somos de inteligência questionável, pois atravancamos o que podemos no caminho de nossa própria felicidade, a única coisa que importa no final das contas. Não trarei aqui a fórmula mágica, mas possivelmente uma reflexão que ajudará a sermos, quem sabe, menos infelizes em nossas atitudes e escolhas.

    Se fosse necessário uma vida estável financeiramente ou com alguns problemas a menos para centrarmo-nos na busca da felicidade, poderíamos esquecê-la; isso seria querer que o mundo se curve às nossas nuances. Depender de algo externo para ser feliz não é, por certo, ser feliz de fato; o que deve mudar não são as condições de nossa vida, mas como as vemos, como as enfrentamos.

    Os que leem esse post provavelmente já devem ter reparado que corriqueiramente se vê muito mais demonstrações de alegria nas comunidades de baixa renda do que em luxuosos condomínios. Sou levado a crer, com base em observações, que a diferença está no modo que a pessoa encara as circunstâncias de sua vida.

    Por vezes posso parecer um pouco moralista, mas me agrada escrever nesse estilo de Plutarco ou Montaigne, sem grandes bases científicas, mas empíricas. Seguindo o raciocínio, trago um pensamento que lembro da novela "O Clone", na qual havia muita influência da sabedoria muçulmana com seus muitos ditados populares; em uma cena na qual se apresentou um grande problema, Ali (personagem de Stenio Garcia) recitou um desses brocardos:

    "As coisas boas começam pequenas e só vão aumentando, mas os problemas começam grandes e só vão diminuindo."

    Nesse sentido, o problema parece um banho gelado; você, que está numa situação de conforto, de modo algum quer tomar um banho gelado, mas quando toma, vê que o mundo não acabou por causa disso e vê que a situação só pode melhorar depois do desconforto. Tudo o que ocorrer dali em diante só lhe fará aquecer e sentir-se melhor, porque a situação extrema já passou.

    Acredito que esse modo de encarar as coisas torna a vida mais serena, mais sábia. Certa vez minha mãe trouxe para casa um DVD de um filme chamado "Conversando com Deus", baseado em um best-seller no qual o autor conta ter, após passar por muitas dificuldades, conversado com Deus. Deus falou muito com ele e o mesmo conta suas experiências no livro, no filme e nas palestras que profere pelo mundo.
    Fui assistir meio cético, mas acabei tirando de tudo o que passou na experiência de Neale Donald Walsch (o autor) uma valiosa lição, que volta e meia recordo e volta e meia me ajuda muito. Trata-se de uma síntese elegantemente colocada de muitos escritos, digna mesmo de algo sobrenatural:

    "As coisas da vida simplesmente acontecem, o que muda é como reagimos a elas."

    Como disse, não pretendo colocar aqui o caminho da felicidade, até porque não o encontrei ainda por completo, todavia agir com mais alegria e sabedoria diante das adversidades pode ser um passo importante nesse caminho.

    É, sim, possível não "sair dos eixos". Ao perceber isso começa-se a ver uma pessoa brava, irada ou alterada como alguém que não consegue se controlar ou não se esforça para tanto, visto que uma magra reflexão já nos leva a concluir ser melhor agir com calma; daí o popular "contar até dez" antes de explodir, uma vez que é tão descabida a ideia de estressar-se inutilmente, que essa conclusão geralmente aparece espontaneamente entre o um e o dez.

    Isso é tudo por ora!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Falar sobre ideias

    Há alguns meses, após pensar sobre aspectos diversos da vida, tomei a decisão de excluir meu facebook. Devo dizer que até agora não me arrependi e creio que não me arrependerei tão cedo. Na mesma oportunidade pensei não haver sentido em manter um blog pelas mesmas razões que me levavam a não mais querer observar e ser observado através do facebook.

    Deixei de deletar o blog por achar legal visitar, de vez em quando, o que pensava tempos atrás; mesmo algumas baboseiras plantadas aqui e ali mostram que o hoje existente se desenvolveu de algo mais primitivo. Desde então (ex tunc, em tradução literal), como um julgador que mantém a decisão embargada por seus próprios argumentos, o blog está parado e com o pressuposto de ter-me como único leitor atento.

    No entanto, como veio ele à tona em algumas conversas junto a colegas e familiares, decidi vez ou outra colocar aqui alguma ideia sem o intento (antes central) de divulgar o blog buscando o maior número possível de acessos. Escreverei para os poucos que, por acaso ou não, acessarem; ao fim será um diálogo comigo mesmo e com esses poucos. Conforme já citei em várias outras ocasiões, ensina Platão que filosofar é dialogar.

    Pois bem, seja por um meio ou outro, o diálogo não perde sua natureza; através de diálogos venho remodelando o que penso a cada dia, de sorte que mesmo a leitura regressiva em termos temporais dos posts desse blog parece um corte geológico do solo que revela seu passado. Tal passado é necessário para que o solo de hoje seja desta maneira; espero que seja um solo fértil.

    Aqueles que utilizam a internet com certa frequência devem ter observado que ultimamente existem "quadros" nos cantos de certas páginas nos quais por vezes aparecem as propagandas de sempre e por vezes citações variadas de provérbios ou frases famosas. Estas aparecem em inglês e uma das que mais me chamou atenção foi a seguinte:

    "Great people talk about ideas
    average people talk about things
    small people talk about other people."

    ou seja, grandes pessoas conversam sobre ideias, pessoas normais conversam sobre coisas e pessoas pequenas conversam sobre outras pessoas.

    Pensando sobre essa citação de autor desconhecido, me parece que resulta em uma instrução simples e certeira para a aquisição de virtudes e a priorização de boas amizades; consequentemente, portanto, para uma melhora generalizada de vida.

    Infelizmente, utilizando metáfora extraída de Harry Potter, muitos são os trouxas e poucos são os bruxos, ou seja, quase ninguém vai conseguir operar essa mágica após uma vida tendo objetivos exclusivamente materiais e utilizando momentos de fofoca como fonte de lazer. A mágica, no caso, seria tornar-se "grande pessoa".

    Nesse caso poderia tratar "grande pessoa" como "grande alma"; isso me lembra Mahatma Gandhi onde Mahatma significa "grande alma" e Gandhi é um sobrenome comum (como "silva" aqui no Brasil). Poder-se-ia dizer que é uma grande alma no povo. Uma grande alma é capaz de contribuir de modo quase impensável para a humanidade, de modo que os médios e pequenos sequer suspeitam.

    Olhando ao final da trajetória de uma grande pessoa é facílimo perceber qual é a escolha certa, que esta pessoa foi capaz de realizar tais escolhas nas encruzilhadas de sua vida; ocorre, porém, que enfrentamos encruzilhadas semelhantes diariamente e seduzidos pelo caminho mais fácil/curto/conveniente ficamos quase sempre do medíocre para baixo.

    Ora, se a escolha certa muitas vezes é óbvia, por que tal irracionalidade? Diz José Ingenieros, em sua obra "O Homem Medíocre" que "ao homem medíocre o cérebro é simples adorno". Também como quem olha a situação de cima, em tom sério e por isso cômico completa que o homem medíocre é fenômeno que aparece com frequência na vida, por isso é necessário estudá-lo.

    Quando defronta-se com algum rebento o qual adentrou certo estágio da grandeza aqui descrita, é prontamente perceptível que em sua presença é por vezes pejorativo ressaltar amenidades/futilidades. A simples presença do grande homem urge pela discussão de ideias, por discussões diferentes do comum e corrente, pelo diálogo que finda em filosofar.

    Como também já ressaltei em outra oportunidade, a própria sigla PhD (Philosophy Doctor) pressupõe a necessidade de que, após estudada uma ciência a fundo, estude-se filosofia. Ao final, filosofia é mesmo o que resulta do contato produtivo com grandes homens. O encontro de conhecimentos desenvolvidos do simples ao complexo produz novos conhecimentos.

    Imaginem um big bang, o surgimento de um universo incomensurável onde sequer espaço existia, eis o que ocorre no encontro de ideias provenientes de grandes homens, diz-se, por exemplo, que a primeira conversa entre Carl Jung e Sigmund Freud durou 13 (treze) horas. Diz-se também que ao homem é dado o poder de criar tudo o que tem capacidade de imaginar.

    Imaginamos muitas coisas, de discos voadores a máquinas do tempo; incontáveis avanços atuais seriam dados como impossíveis no século retrasado. É possível, dessa forma, alcançar mares nunca dantes navegados com certa facilidade tendo os grandes homens em maior número e em contato.

    Ocorre que o mundo não raro barra o progresso desses homens que poderiam, ao futuro, carregá-lo nas costas como um atlas (ver Atlas Shrugged de Ayn Rand, publicado no Brasil como A Revolta de Atlas)¹, insiste em empurrar os grandes homens a falar sobre coisas e sobre outras pessoas quando estes querem falar sobre ideias. Conheço pouquíssimos desses grandes e tenho como pretensiosa pretensão tornar-me um deles algum dia.

    Acredito que quem mira baixo se limita, principalmente quando o faz na juventude. Quando se é novo, está na hora de fixar um objetivo, sendo tal objetivo carecedor de muito trabalho/dedicação e oferecendo horizontes infinitos àqueles que o atingem, aí haverá possibilidade de surgir um grande homem. A vida "peneira" continuamente os que estão na busca de seus objetivos; sobreviver a essa seleção natural é vital.
    Como é exposto no filme Peixe Grande (Big Fish), dirigido por Tim Burton (excelente filme), "O maior peixe do rio só é grande porque nunca foi pego."

    Penso que a importância de que os objetivos finais figurem em posições nas quais haja horizonte infinito para criar pode ser dita também como objetivos em que haja a possibilidade de filosofar. Somente dessa filosofia somada ao conhecimento já obtido pelo homem pode surgir o novo; de que adianta saber executar o trabalho sem possuir as ferramentas necessárias? 

    Como essas coisas não vêm de uma hora para outra, é necessário pensar a longo prazo, coisa que já exclui grande parte da população; como a frase que minha mãe frequentemente cita como sendo de Paulo Freire: "não se pode abrir a flor à força."
    Mas isso já é pano para a manga de outro post.

    Por ora é isso (:


_________________________________
¹ A obra "A Revolta de Atlas" me pareceu sensacional por certos aspectos, me deu vontade de fazer minha própria sorte e triunfar na vida, contudo possui alguns aspectos de extremismo que em minha opinião devem ser relevados pelo leitor. Alguns exemplos são sua tendência altamente materialista, ateísta e desprovida de sentimentos desinteressados.

domingo, 20 de maio de 2012

Mantendo-se nos eixos

    Ultimamente, como filósofo amador, tenho chegado a algumas conclusões que considero importantes, contudo a mais importante delas é que de nada adianta chegar a muitas conclusões se estas não são aplicadas na prática, se não viram avanços palpáveis na vida e em como é conduzida.

    Iniciei, então, uma espécie de trajetória onde pretendo incorporar aos poucos algumas dessas conclusões para ver passo a passo como resultam em benefícios ou prejuízos; mal comecei e já tenho a nítida sensação de que valeu a pena. Porém ainda há muito chão pela frente.


    Inicialmente gostaria de trazer a ideia de "eixo psicológico"; quem aqui nunca ouviu a expressão "tirar fora dos eixos" ou algo semelhante? o eixo seria o ponto de equilíbrio, a base forte sobre a qual é possível se apoiar sem medo de que balance. Assim, para efeitos desse post, um eixo psicológico é formado pelo núcleo duro de concepções e atitudes das quais o indivíduo procura não abrir mão em circunstância alguma.

    Algumas pessoas são maleáveis ao extremo, altamente sugestionáveis de sorte que se apoiam muito em outras pessoas, modismos, o que os outros irão pensar, o que esperam dela, etc. Outras, por outro lado, têm regrados quase todos os aspectos de sua vida e antes irão morrer do que mudar suas opiniões.

    O objetivo então seria atingir um ponto de equilíbrio com o tal núcleo duro de concepções e uma certa abertura ao novo, à possibilidade de aprender sempre.

    Começando a filosofar um pouco (e talvez perdendo algum leitor mais impaciente) devo dizer que tenho observado muitas pessoas próximas se enquadrarem na categoria das maleáveis ao extremo, sinal de que sou também muito maleável, já que, seguindo um sem número de pensadores, é possível dizer que enxergamos nos outros um reflexo de nós mesmos.

    Vi também algumas poucas pessoas que parecem ter atingido o equilíbrio, sobre as quais me deterei agora.
    Essas pessoas simplesmente seguem os seus caminhos, pensam um pouco sobre os rumos a tomar e os seguem sem parar por conta de alguém que não gostou de sua decisão. Elas não se preocupam em agradar a todos e estão preparadas para ser malquistas por alguns aos quais não se dobraram quando supostamente deveriam.
    Não raro conseguem pensar a longo prazo e transcender as ilusões que propõem soluções fáceis aos problemas imediatos, para elas a maior derrota é sucumbir aos seus objetivos em troca de algum ganho simplesmente financeiro ou de algo igualmente superficial.

    Ao final, estes com um eixo psicológico equilibrado conseguem liberdade, autonomia, por serem imperturbáveis, incansáveis.

    Chegar a este ponto requer um feixe de virtudes do qual, posso dizer, ainda não disponho; todavia vejo que é possível.

    É uma boa pensar se você está sendo o tipo de pessoa maleável ou mesmo o turrão teimoso que não muda. De que adiantaria viver levado pelos outros ou fechado às coisas novas sem sequer tê-las experimentado?

Por hoje é só..até mais ;)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tornar a verdade inacreditável

    Esses dias, em meio a minhas viagens, me deparei com uma frase que gerou grande impacto à primeira vista e ainda hoje me faz tomar algumas atitudes de superação. Trata-se de um dos chamados "aforismos de Napoleão", excertos do pensamento de Napoleão Bonaparte publicados no Brasil sob o nome de "Manual do Líder".

"o meio de ser acreditado é tornar a verdade inacreditável"

é a frase; por conta dela tenho sido impelido a trabalhar para que minha vida, em verdade, torne-se inacreditável; parece um tanto pretencioso, mas conforme expus alguns dias atrás, começar algo já é um grande passo.

    Expus também, que o fato de não terminar o que se começa retira quase toda a utilidade de ter começado; é talvez como se fosse criado um anexo à pessoa que somente a ajudará se for desenvolvido até certo ponto, caso contrário pode até atrapalhá-la na medida em que perde a capacidade de levar as coisas adiante.

    Assim, aquele que conclui seus empreendimentos consegue tornar a verdade inacreditável, consegue ser aquele cara que veio lá de baixo e triunfou, uma vez que a coisa mais fácil é ficar pelo caminho. 

    O mundo pune e premia em uma seleção natural; se você for comum (ou "normal", capitulando a ideia do post anterior), terá uma vida acreditável e, portanto, sempre terá de provar tudo o que faz, carecerá de firmeza, quem sabe obedeça em vez de ser obedecido; todavia isso são meras reflexões menos defensáveis do que a ideia central a qual quero expor.

    Voltando ao foco, devo dizer que a frase aparece como um jogo de palavras genial no qual o primeiro acreditar quer dizer confiar. Para que as pessoas confiem em alguém sem conhecê-lo a fundo é necessário que esse alguém dê provas do merecimento de tal confiança; esta prova, no caso, é a verdade inacreditável gerada.

    Antes da segunda guerra mundial, por exemplo, o partido nazista conseguiu uma recuperação incrível da economia alemã, então em severa crise. Visto que a economia, quando saudável, eleva consideravelmente o nível de vida da população e que à primeira vista os meios utilizados por Hitler só trouxeram benefícios, era como se ele tivesse operado um milagre.

    A verdade tornou-se inacreditável e Hitler foi acreditado pelo povo para fazer o que quisesse.

    Obviemente aqui não faço apologia ao que ele decidiu fazer com essa confiança, porém a questão foi que ele a obteve e somente conseguiu isso em decorrência de agir no plano concreto; a grande massa dificilmente segue fervorosamente ideias e somente ideias.

    Saindo do exemplo de Hitler e de qualquer outro que possa se encaixar no caso (o próprio Napoleão Bonaparte, que ascendeu após vitórias militares) e passando à realidade de nossas vidas, podemos dizer que é importantíssimo ter a confiança dos que nos rodeiam; mesmo se o objetivo final não for liderar e capitanear uma carreira meteórica.

    Desde uma entrevista de emprego até a apresentação de um trabalho ou papo de botequim, pode-se perceber um diferencial dos que põem em prática, que fazem, agem; a vida é feita de escolhas, é possível afirmar que muitos, até uma certa idade, têm uma vida passível de tornar a verdade inacreditável, depois, porém, se acomodam por ter chegado a um ponto confortável ou perdido qualquer perspectiva de melhora.

    Ora, fosse fácil chegar a tal ponto, muitos o fariam, conforme ouvi certa vez, que graça tem procurar se é fácil achar?

    Em minha curta experiência de vida, sugeriria que se buscasse um pouco do que Platão entendia como a educação ideal (exposta alguns posts atrás), em que o indivíduo conhecedor de línguas, música, matemática, esportes, oratória e talvez mais algumas habilidades seria o homem completo.

    Hoje em dia é realmente complicado ter tempo e dinheiro para dedicar-se tão somente ao aprendizado de novas habilidades e aprimoramento das antigas, no entanto aprender a tocar um instrumento musical e estudar uma nova língua pode ser um ótimo começo.

    Para finalizar, talvez seja uma fala do "capitão óbvio", contudo só se aprende a fazer algo fazendo; se quer se expressar melhor em público, por exemplo, deve romper a barreira que impede expressão frequente em público como um martelo rompe um vidro; ter a posse deste martelo que rompe as paredes erigidas por nós mesmos é a chave para tornar a verdade inacreditável e, ao fim, ser acreditado.

sábado, 14 de abril de 2012

Ser do contra

    Tenho observado que a maioria das pessoas busca uma "vida normal", "só quer viver em paz" ou algo do tipo; é praticamente um mantra repetido todos os dias por quase todos.

    Uma pessoa "normal" hoje nasce, cresce no seio de uma família normal, arranja um meio de ganhar dinheiro para ter e fazer o que uma "pessoa normal" tem direito a ter e fazer para morrer como uma "pessoa normal" que não fez diferença alguma ao mundo como um todo.

    Ora, "é muita pretensão", diriam alguns, "querer mudar o mundo"; aí temos principalmente pessoas normais resignadas por estarem levando suas vidas normais sem contribuir para a humanidade; por estarem em tal situação talvez pense que todos são como elas e também não mudarão nada para melhor.

    O problema não está fundamentalmente em ser normal, já que o próprio sentido de normal concerne ao que obedece à norma, o que é a regra, não a exceção. Dessa maneira qualquer maioria em algum aspecto contribuirá por sua própria existência para fazer parte da normalidade.

    Destaco aqui que o problema está em querer ser normal; para melhor expor o que quero dizer, farei uso de uma máxima que qualificaria como sensacional:
"O problema com a maioria não está em mirar muito alto e errar, mas em mirar muito baixo e acertar"                                              
Michelângelo

    Assim, da mesma forma que quem procura acha, ou que "o segredo" e "a lei da atração" entram em ação, se você quer ser uma simples peça substituível para a humanidade, conseguirá isso; se quiser, contudo, tornar-se uma engrenagem fundamental ao funcionamento da máquina, deve  mirar alto, o mais alto possível. Se errar, ao menos é grande a chance acertar mais alto que a maioria, que os normais.

    Um bom começo para, efetivamente, fazer a diferença, é agir de forma diversa aos normais; não defendo aqui que devemos ser radicais e adotar uma posição diferente e firme de uma hora para outra, talvez fechar-mo-nos em um mosteiro ou apoiar a extrema esquerda/direita - há um núcleo duro da normalidade responsável por nos manter civilizados, ou seja, na civitas convivendo em sociedade.

    Os grandes homens e mulheres da história jamais poderiam ser ditos comuns e é justamente isso que me faz poder citá-los com a tranquilidade de saber que o leitor (tanto o normal quanto o "do contra") o conhece.

    Obviamente, nem todos os que decidirem fugir à normalidade resultarão em grandes referências para o futuro da humanidade, a mensagem objetiva que aqui quero deixar não é a positiva "seja diferente e farás a diferença", mas a negativa "seja normal e não farás a diferença".

    O normal está sentenciado ao comodismo; finalizo aqui com algumas citações que dão um acabamento à conclusão obtida 

"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível."
São Francisco de Assis

       A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
Platão

Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Érico Veríssimo

Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates 


"O que fazemos em vida ecoa pela eternidade."
(Trecho do Filme Gladiador)




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Terminar o que começou

    Tenho reparado que ultimamente iniciei várias coisas; vários trabalhos, muitas ideias, novos esportes, instrumentos musicais e por aí vai...

    O caso é que flagro-me com dificuldades para terminar o que começo, após um começo não raro prodigioso, a determinação mais das vezes morre frente às primeiras pedras que apresenta qualquer caminho.

    Este mal, não o vejo somente em mim, mas nos que me cercam de modo geral; todos têm sonhos e planos que pretendem concretizar, no entanto a maioria sucumbe à tal ou qual fator de modo que dificilmente cumprem seus objetivos e fazem, dessa maneira, com que os sonhos carreguem a fama de serem apenas sonhos.

    Formamos na cabeça uma perspectiva na qual os jovens que sonham são ingênuos e passam por um mágico período antes de "quebrar a cara", ver cair sobre as costas a crua realidade de um mundo que se esforça por não realizar sonhos.

    Os adultos que permanecem sonhando geralmente aparecem rotulados como utópicos e são observados de longe pelos outros como aqueles que logo logo se decepcionarão e "cairão na real".

    É verdade que isso só acontece porque em quase todas as vezes os utópicos realmente "quebram a cara", não nego, mas em minha humilde opinião de filósofo amador isso se dá pelo fato de não ser qualquer um o possuidor da capacidade de exercer verdadeiramente o papel de "utópico"; eu explico.

    De nada adianta alimentar sonhos grandiosos se pouco é feito na prática para realizá-los. Posso estar explicando o óbvio, porém muitas vezes grandes conclusões são tiradas na simplicidade.

    Quero dizer que são poucos, arrisco dizer pouquíssimos que fazem de fato o necessário para perseguir um sonho; os outros 99% da população mundial esbarram na preguiça, dificuldades, escolhas erradas. Muito disso parece estar também em não terminar as coisas que se começa.

    Qualquer um pode começar a fazer qualquer coisa, todos iniciamos de alguma forma a realização de nossos sonhos quando simplesmente os idealizamos; iniciar algo já é uma vitória.

    Seguindo um brocardo dito pelos antigos mestres samurais do Japão Feudal podemos ter uma síntese da sabedoria necessária para a realização de sonhos; diziam: "Após a vitória, aperte a alça do capacete."

    Se o agora vitorioso continuar sua jornada rumo ao próximo passo, a coisa mais certa é a próxima batalha; uma vez que se acomode a perderá, bem como à guerra se persistir acomodado.

    Quando não se termina o que foi começado, sobressai a fraqueza, aquilo que acomete à maioria das pessoas e que faz com que estejam no grupo da grande massa que sempre, em seu íntimo, aspirará ao que não pode obter, não por alguma limitação externa, mas por culpa do próprio indivíduo que não teve forças para conduzir seu exército à próxima batalha.

    "Não está morto quem peleia" costuma-se dizer por aí; quando se para de pelear, trabalhando e utilizando quase todo o tempo livre para lazer, por exemplo, é que se caminha para a morte; morte da vontade, das aspirações, dos sonhos.

    
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